domingo, 2 de agosto de 2015

Primeiro trailer de "Beasts of No Nation", filme de Cary Fukunaga para o Netflix


O Netflix inicia-se na produção cinematográfica com Beasts of No Nation, filme de Cary Fukunaga (Sin nombre), com protagonismo de Idris Elba (Pacific Rim). Foi recentemente divulgado o primeiro trailer:


Baseado no romance Beasts of No Nation, de Uzodinma Iweala, o filme desenrola-se durante uma guerra civil no país africano não identificado. Um jovem rapaz de nome Agu (Abraham Attah) é levado da sua família e forçado a juntar-se a uma guerrilha. Idris Elba é um senhor da guerra que se torna o mentor de Agu e o molda num soldado.

Beasts of No Nation terá estreia nos cinemas norte-americanos a 16 de Outubro, o mesmo dia em que se estreará no site de streaming Netflix. O filme é candidato ao Leão de Ouro no Festival de Veneza 2015 e será exibido também no Festival de Toronto, sendo ainda elegível para os Óscares 2016.

MTV renova "Scream" para uma segunda temporada


O canal MTV anunciou a renovação de Scream para uma segunda temporada. A série adapta o franchise cinematográfico homónimo através de guiões escritos por Jay Beattie (Criminal Minds) e Dan Dworkin (Revenge).

Com a primeira temporada em exibição, a série tem sido vista por cerca de 7,9 milhões de espectadores, se contarmos o DVR e a exibição em outras plataformas. Os produtores da série revelaram que pretendem desvendar a identidade do assassino no final da primeira temporada, o que deixa a dúvida sobre o que será trabalhado na segunda temporada de Scream.

Canal Starz renova "Black Sails" para uma quarta temporada


O canal Starz anunciou a renovação de Black Sails para uma quarta temporada, ainda antes da estreia da terceira. Os eventos da série situam-se vinte anos antes dos eventos retratados no livro Treasure Island, de Robert Louis Stevenson, seguindo as aventuras do Capitão Flint (Toby Stephens) e o seu jovem aprendiz John Silver (Luke Arnold).

Na terceira temporada da série, Flint encontrará o famoso pirata Barba Negra (Ray Stevenson). A quarta temporada de Black Sails contará com dez episódios e deverá estrear no primeiro semestre de 2017, tornando-se a série dramática de maior duração no canal Starz.

Filmes de Jean-Marc Vallée, Ridley Scott e Stephen Frears no Festival de Toronto 2015


O Festival de Toronto 2015 iniciar-se-á com a estreia de Demolition, novo filme de Jean-Marc Vallée (Wild), com protagonismo de Jake Gyllenhaal. Além desta estreia, o festival canadiano contará ainda com os novos filmes de Julie Delpy, Stephen Frears, Ridley Scott e Roland Emmerich. Haverá ainda a estreia norte-americana de uma série de filmes presentes no Festival de Cannes ou de Berlim, como Dheepan (vencedor da Palma d'Ouro 2015), The Lobster, Louder than Bombs, Mountains May Depart, Sicario, Son of Saul, Youth ou Victoria. Destaque ainda para o novo documentário de Michael Moore, o regresso do israelita Hany Abu-Assad, assim como os novos filmes de Johnnie To, Terence Davies, Pablo Larraín Jay Roach.

O Festival de Toronto 2015 decorre de 10 a 20 de Setembro.

Galas
  • Beeba Boys, de Deepa Mehta
  • Demoliton, de Jean-Marc Vallée
  • The Dressmaker, de Jocelyn Moorhouse
  • Eye in the Sky, de Gavin Hood
  • Forsaken, de Jon Cassar
  • Freeheld, de Peter Sollett
  • Hyena Road, de Paul Gross
  • Lolo, de Julie Delpy
  • Legend, de Brian Hegeland
  • The Man Who Knew Infinity, de Matt Brown
  • The Martian, de Ridley Scott
  • The Program, de Stephen Frears
  • Remember, de Atom Egoyan
  • Septembers of Shiraz, de Wayne Blair
  • Stonewall, de Roland Emmerich

"Humans" é renovada para uma segunda temporada


O Channel 4 anunciou a renovação de Humans para uma segunda temporada. A série é co-produzida com o canal norte-americano AMC e é um remake da série sueca Äkta Människor. A narrativa futurista segue uma altura em que andróides convivem com seres humanos realizando trabalhos domésticos ou de risco. Mas um grupo de andróides, dotados de sentimentos e pensamentos próprios, tenta libertar-se do domínio humano.

A série tem sido vista em média por 4,8 milhões de espectadores em Inglaterra. Nos EUA, a série mantém a média de 1,24 milhões de espectadores, ao vivo. A segunda temporada de Humans será composta por oito episódios.

Filmes de Cary Fukunaga, Drake Doremus e Tom Hooper no Festival de Veneza 2015


A direcção do Festival de Veneza apresentou a programação para a sua edição deste ano. Entre os filmes em competição pelo Leão de Ouro estão os novos do italiano Marco Bellocchio (sétima presença no festival), do egípcio Atom Egoyan (é a primeira vez que integra o certame italiano), do norte-americano Drake Doremus (Like Crazy), o israelita Amos Gitai (por cinco vezes já candidato ao Leão de Ouro), do britânico Tom Hooper (com o filme que poderá levar Eddie Redmayne a ser nomeado novamente ao Óscar), o italiano Luca Guadagnino (Io sono l'amore), o russo Aleksander Sokurov (vencedor do Leão de Ouro em 2011 por Faust), do norte-americano Cary Fukunaga (que regressa ao cinema depois do sucesso da série televisiva True Detective), Charlie Kaufman (o regresso do argumentista como realizador de um filme em stop motion), do polaco Jerzy Skolimowski (Essential Killing) e do argentino Pablo Trapero (Carancho).

O Festival de Veneza 2015 decorre de 2 a 12 de Setembro. Em 2014, o sueco A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence.

Competição

  • Frenzy, de Emin Alper
  • Heart of a Dog, de Laurie Anderson
  • Blood of My Blood, de Marco Bellocchio
  • Looking for Grace, de Sue Brooks
  • Equals, de Drake Doremus
  • Remember, de Atom Egoyan
  • Beasts of No Nation, de Cary Fukunaga
  • Per amor vostro, de Giuseppe M. Gaudino
  • Marguerite, de Xavier Giannoli
  • Rabin, the Last Day; de Amos Gitai
  • A Bigger Splash, de Luca Guadagnino
  • The Endless River, de Oliver Hermanus
  • The Danish Girl, de Tom Hooper
  • Anomalisa, de Charlie Kaufman
  • L'attesa, de Piero Messina
  • 11 Minutes, de Jerzy Skolimowski
  • Francofonia, de Aleksander Sokurov
  • The Clan, de Pablo Trapero
  • Desde alla, de Lorenzo Vigas
  • L'hermine, de Christian Vincent
  • Bhemoth, de Zhao Liang

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Passatempo Quarteto Fantástico

Táxi de Jafar Panahi, por Tiago Ramos


Título original: Taxi (2015)
Realização: Jafar Panahi
Argumento: Jafar Panahi
Elenco: Jafar Panahi

Isto é um filme. E como disse Jafar Panahi a um jovem estudante de cinema que procurava saber quais os melhores filmes a comprar a um vendedor de cópias pirateadas: «todos os filmes merecem ser vistos». E Táxi de Jafar Panahi justifica essa afirmação, sendo um filme com muito cinema dentro. A começar pela referência óbvia ao cinema de Abbas Kiarostami (e o seu Dez, também ele filmado dentro de um carro) ou ao vendedor de cópias pirateadas de filmes (com produções interditas no Irão) que vende ao estudante de cinema e ao próprio Jafar Panahi (sabemos que comprou versões ilegais de Midnight in Paris e de Once Upon a Time in Anatolia). Multiplicam-se ainda as auto-referências ao seu próprio cinema: desde The Mirror (1997), passando por Crimson Gold (2003) a Offside (2006).

É um filme com muitos filmes, mais luminoso que os dois anteriores, posteriores à sua condenação que o deixou proibido de filmar durante vinte anos por um Governo que estipula uma cartilha estrita de regras e bons costumes para filmar. Essa é uma referência que Jafar Panahi faz, brincando com a sua sobrinha, também ela protagonista do filme, que na narrativa (a espaços fica a dúvida se é tudo é encenado ou se é isto um documentário), tem de realizar um filme para a escola. Um filme como deve ser, «distribuível» e que evite sobretudo o «realismo sórdido», que dá origem a um dos gags mais divertidos do filme. Neste filme, o cineasta utiliza novos dispositivos para fugir à sua interdição de filmar, mas de uma forma menos limitada que This Is Not a Film (2011) ou Closed Curtain (2013). Ali, Jafar Panahi, confinava-se a si mesmo, encerrava-se na escuridão de uma tristeza profunda para agora dar lugar a um lufada de ar fresco, num filme que é quase uma tragicomédia.

Num jogo de espelhos com os dispositivos da narrativa a serem continuamente desmontados - há até uma personagem que lhe diz «Eu sei quem é, senhor Jafar Panahi. Sei que anda a fazer um filme». Jafar Panahi é o protagonista do seu próprio filme que é mais uma provocação ao regime, um corajoso ultimato do Cinema que documenta ao mesmo tempo a realidade da vida no Teerão. É um filme onde o cineasta recupera um tom humano, bem-humorado, mais risonho e subtil. Um filme que nem merece créditos finais porque afinal não é distribuível no Irão.


Classificação: